domingo, 25 de abril de 2010

Características da escrita disgráfica


Cinel (2003), no artigo “Disgrafia. Prováveis causas dos distúrbios e estratégias para a correcção da escrita” apresenta alguns indicadores que permitirão identificar, com segurança, crianças com disgrafia:

- rigidez no traçado – o aluno pressiona demasiado o lápis contra o papel;

- relaxamento gráfico – o aluno pressiona debilmente o lápis contra o papel;

- impulsividade e instabilidade no traçado – o aluno demonstra descontrole no gesto gráfico; o traçado é impulsivo, apressado, confuso, com a escrita irregular e instável;

- lentidão no traçado – o aluno demonstra um traçado arrastado, lento, tornando evidente um grande esforço de aplicação e controle;

- dificuldades relativas ao espaçamento – o aluno deixa espaço irregular (pequeno ou grande demais) entre letras, palavras; não respeita margens; amontoa letras;

- dificuldades relativas à uniformidade – o aluno escreve com letras grandes demais (macrografia) ou pequenas demais (micrografia) ou mistura ambas; mostra desproporção entre maiúsculas e minúsculas e entre as hastes;

- dificuldades relativas à forma das letras, aos ligamentos e à inclinação – o aluno apresenta deformação no traçado das letras; evidencia falta de ligamentos entre as letras; inclina-as demasiadamente para a esquerda, para a direita ou para ambas as direcções.



Com base nestas informações, poderá ser feito um diagnóstico das possíveis dificuldades de seus alunos, fazendo o registo de suas observações na Ficha para Recolha  de Dados que a autora sugere.



O que são realmente são as dificuldades de aprendizagem?



Camara (2008) no texto 1 do artigo “Dificuldades e Aprendizagem” refere que a literatura sobre as dificuldades de aprendizagem se caracteriza por um conjunto desestruturado de argumentos contraditórios. Apesar do conceito de dificuldades de aprendizagem apresentar diversas definições e ainda ser um pouco ambíguo, é necessário que tentemos determinar ao que fazemos referência com tal expressão ou etiqueta diagnóstica, de modo que se possa reduzir a confusão com outros termos. 



Elementos de definição mais relevantes:  

- A criança com transtornos de aprendizagem tem uma linha desigual no seu desenvolvimento.

- Os seus problemas de aprendizagem não são causados por pobreza ambiental.

- Os problemas não são devidos a atraso mental ou transtornos emocionais.

Só é procedente falar em dificuldades de aprendizagem quando os alunos: 

- Têm um quociente intelectual normal, ou muito próximo da normalidade, ou ainda, superior.

- O seu ambiente sócio-familiar é normal.

- Não apresentam deficiências sensoriais nem afecções neurológicas significativas.

- O seu rendimento escolar é manifesto e reiteradamente insatisfatório.

Frequentemente apresentam problemas nos seguintes campos:

- Actividade motora: hiperatividade ou hipoatividade, dificuldade de coordenação…
 
- Atenção: baixo nível de concentração, dispersão…
 
- Área verbal: problemas na codificação/ decodificação simbólica, irregularidades na lectoescrita, disgrafias …
 
- Emoções: desajustes emocionais leves, baixa auto-estima …
 
- Memória: dificuldades de fixação …
 
- Percepção: reprodução inadequada de formas geométricas, confusão entre figura e fundo, inversão de letras …
 
- Sociabilidade: inibição participativa, pouca habilidade social, agressividade.

Orientações para pais e educadores

Oliveira (2008) no prefácio do artigo “Dificuldades e Aprendizagem” refere que se torna necessário orientar família e professor, para que juntos, possam encontrar orientações para lidar com alunos/filhos, que apresentam dificuldades e/ou que fogem ao padrão de aprendizagem. A autora propõe as seguintes indicações:

- Promover o estabelecimento de uma relação de confiança e colaboração com a escola;
- Escutar mais e falar menos;
- Informar os professores sobre os progressos feitos em casa em áreas de interesse mútuo;
- Orientar para que os pais estabeleçam horários para estudar e realizar as tarefas de casa;
- Orientar o desenvolvimento de interesse e entusiasmo pelos estudos;
- Desenvolver estratégias de modelação;
- Estimular aos professores para que aprendam com os alunos em vez de só quererem ensinar;
- Estimular os pais para que valorizem sempre o que o filho faz, mesmo que não tenha feito o que foi solicitado;
- Disponibilizar materiais para auxiliar na aprendizagem;
- É preciso conversar, informar e discutir com o aluno sobre quaisquer observações e comentários emitidos sobre ele.

Avaliação das DA

Correia & Martins (1999), no livro “Dificuldades de aprendizagem: O que são? Como entendê-las?”, apresentam uma lista de verificação que tem por base a Escala de Comportamento Escolar (Correia, 1983) e uma lista de verificação do Centro Nacional Americano para as Dificuldades de Aprendizagem (1997), onde está agrupado um conjunto de sinais que podem ser indicadores de DA.

 

Para além dessa lista de verificação, os autores apresentam, no quadro seguinte, quatro listas por nível escolar (Levine, 1990), contendo um conjunto de primeiros sinais a observar no que diz respeito às DA.