segunda-feira, 26 de abril de 2010

Workshop: Criação de jogos de aprendizagem multissensoriais


Crianças e jovens com dislexia e dificuldades de aprendizagem aprendem de forma mais eficaz se usarem métodos multisensoriais, ou seja se usarem o maior número possível de sentidos. Assim, com este workshop aprenderá a criar jogos e a adaptar jogos existentes para facilitar e promover a aprendizagem.

Destinatários:
Educadores, Professores, Animadores…

Local/Data/Duração:
A agendar / 4h

Preço:
30€

Mais informações em:
artespot.formacao@gmail.com


Fonte: 

domingo, 25 de abril de 2010

Reeducação dos erros mais usuais na disgrafia


Torres (2001), no livro “Dislexia, disortografia e disgrafia”, apresenta as seguintes formas concretas de reeducação dos erros mais usuais na disgrafia:

Forma das letras – os erros de desenho e forma das letras podem dever-se a um insuficiente conhecimento do grafema, a uma incapacidade de execução dos movimentos gráficos necessários à configuração dos mesmos, ou a uma deformação no traçado das letras, em consequência de uma excessiva velocidade de escrita. É muito importante que a criança repasse a configuração correcta de cada um dos grafemas e que interiorize a sua forma através de actividades variadas, como:

- Repassar o contorno das letras;

- Picotar e recortar letras;

- Reproduzir as letras em plasticina;

- Simular o formato das letras no ar;

- Executar as letras em espaços gráficos amplos, com tinta ou com pinturas;

- Executar as letras em folhas de papel quadriculado e liso.

Tamanho ou dimensão das letras – a má combinação de movimentos braço-mão-dedos origina os erros na proporcionalidade das letras. Os movimentos exclusivos do braço e o agarrar o lápis muito em cima dão lugar a letras grandes. Os movimentos exclusivos dos dedos e o agarrar o lápis muito em baixo, dão, pelo contrário, lugar a letras muito pequenas. Outras vezes, este problema de dimensão revela uma má percepção visuomotora. Apesar de puder usar os cadernos de duas linhas, a criança deve exercitar as regularidades da dimensão sem a ajuda de linhas, sendo favorável que comece por tomar como referência a primeira letra que escreveu.

Inclinações inadequadas – este tipo de dificuldade gráfica pode afectar tanto as próprias letras como a linha – inclinação interlinear. Existe uma forte relação entre a inclinação da escrita ou da linha, e a posição do papel e do corpo no decurso da escrita. Existem exercícios específicos que favorecem a estabilidade e direccionalidade da escrita, entre os quais se destacam:

- Traçado de linhas rectas;

- Traçado de linhas paralelas;

- Traçado de ondulações;

- União de dois pontos apenas com movimentos do pulso.

Quando o sujeito começa a escrever é necessário que pratique em folhas de papel unilinear, uma vez que estas fixam uma linha de base para a escrita.

Espaçamentos indevidos – estes verificam-se a dois níveis: entre linhas, ou entre linhas e palavras da mesma linha. As deficiências de separação podem dever-se a problemas de inclinação (uma inclinação excessiva do papel origina junção de letras e uma inclinação ínfima origina separações excessivas). Pode contar-se com a ajuda de cadernos, em especial dos quadriculados, que permitem à criança delimitar os espaços entre palavras de forma controlada, deixando dois ou três quadrados de separação entre cada palavra. A criança vai-se assim habituando aos espaçamentos.

Uniões ou ligações inapropriadas – as perturbações da ligação entre as letras podem dever-se a um inadequado conhecimento do grafema ou da sua execução, tendo como resultado a incorrecção dos traços de união, pelo que a reaprendizagem dos grafemas favorece a intervenção, tal como sucede nos erros relativos à forma das letras. Os exercícios que podem ser executados são:

- Exercícios de repasse de palavras ou frases em papel pautado, sem levantar o lápis;

- Exercícios de cópia de palavras, sem levantar o lápis;

- Exercícios de realização de ligações correctas em textos em que faltam as uniões entre as letras;

- Exercícios de correcção de ditados e composições próprias, completando ou reformando as uniões incorrectas.

Factores Psicomotores


Fonseca (2007) no seu livro "Manual de Observação Psicomotora" apresenta-nos os 7 factores psicomotores. Tomando como referência o modelo neuropsicológico de Luria, consideram-se , então, esses 7 elementos básicos básicos da psicomotricidade: tonicidade, equilibração, lateralização, noção de corpo, estruturação espácio-temporal, praxia global e praxia fina, que se encontram interligados em estreita relação. Em termos ontogénicos também se confirma a hierarquização vertical do modelo luriano.

Tonicidade: factor base da psicomotricidade que está relacionada com a função de alerta e de vigilância do nosso corpo. Assegura a preparação da musculatura para as múltiplas e variadas formas de actividades postural e práxica, pelo que toda a motricidade necessita do suporte da tonicidade. Pode ser de repouso (relaxamento e auto-relaxamento) e de acção. 

Equilibração: condição básica da organização psicomotora, visto que envolve uma multiplicidade de ajustamentos posturais antigravíticos que dão suporte a qualquer resposta motora.

Lateralização: função psicomotora que integra os dois lados do corpo permitindo uma melhor orientação no mundo exterior, relativamente ao seu corpo.

Noção de corpo: representação mental que consiste na integração das partes do corpo que participam no movimento e das relações que elas têm de estabelecer entre si e os objectos externos.


Estruturação espácio-temporal: A Estruturação Espacial envolve a tomada de consciência da situação do próprio corpo num meio ambiente, a tomada de consciência da situação das coisas entre si e a possibilidade, para o sujeito, de se organizar perante o mundo que o cerca. A estruturação temporal põe em jogo a recepção, o processamento e o armazenamento rítmico.


Praxia Global: envolve os movimentos de todo o corpo e de grandes segmentos corporais, põe em jogo a organização da actividade consciente e a sua programação, regulação e verificação.

Praxia Fina: envolve os movimentos precisos das mãos e dos dedos evidenciando a velocidade e a precisão dos movimentos finos e a facilidade de reprogramação de acções à medida que as informações táctilo-perceptivas se ajustam às informações visuais.

Actividades para Sala de Aula

Cinel (2003), no artigo "Disgrafia - prováveis causas dos distúrbios e estratégias para a correcção da escrita"  apresenta as seguintes actividades a serem realizadas em contexto de sala de aula: