sexta-feira, 7 de maio de 2010

Relaxação Segmentar

A Relaxação Segmentar tem como objectivo atender mais especificamente às dificuldades de escrita, uma vez que visa a diferenciação de movimentos e sensações que permitam o controlo da mão no lápis em termos de economia de movimentos e mínima fatigabilidade. Deste modo, este tipo de relaxação ajuda a melhorar o fundo tónico das mãos, sendo que a exercitação deve ser mais acentuada na mão com a qual a criança escreve.

- Exercícios de diferenciação ombro-braço
  • Uma criança tenta levantar o braço estendido do outro, enquanto esse na mesma posição o impede.


  • A própria criança tenta elevar um braço, enquanto que a mão do outro braço impede esse movimento.
 
  • Exercer pressão sobre um suporte fixo tentando elevar o braço.
     
    • Com os braços unidos ao corpo tentar separá-los enquanto outra criança impede que o braço se despegue do corpo.
    •  Com os braços em cruz deixá-los cair "mortos" mediante uma ordem dada.
     
    • Rodar os braços em posição circular sobre o ombro como as asas de um moinho.

    - Exercícios de diferenciação braço-punho-mão

    • Rodar as mãos sobre os punhos.
     
    • Sacudir ambas mãos.
     
    • Abrir e fechar as mãos com força.
     
    • Rodar os braços sobre os cotovelos.
     
    • Com bolas semi-maciças, apertar e afrouxar sucessivamente a bola, ou apertar e conter até que o técnico mande afrouxar.
     
    • Sentado numa cadeira a criança comprime uma bola e depois afrouxa a mão até que a bola caia.



    Nota: A Relaxação Segmentar é uma componente do método antidisgráfico de Pérez (2005) descrito no livro "La disgrafia. Concepto, diagnostico y tratamiento de los transtornos de escritura".

    Relaxação Global

    A relaxação tem muita importância na correcção da disgrafia, especialmente em casos de hipertonia, grafoespasmos ou tremor, transtornos de esquema corporal e em situações de desequilíbrio afectivo que afecta o controlo postural. Pode-se praticar regularmente com todos os digráficos, obtendo-se um resultado sempre positivo. O diálogo tónico que se estabelece através da relaxação favorece a relação reeducador-criança, diminuindo a tensão muscular e tranquilizando a criança. A desaparição do estado de tensão vai permitir à criança com disgrafia não só ter uma melhor condição tónica ao escrever, como também alcançar um estado emocional com menores tensões.

    Jogos Introdutórios para a Relaxação Global

    - Jogo da Vela

    As crianças distribuem-se pela sala, em posição vertical, num ambiente com pouca luz, ou se forem capazes, pede-se que fechem os olhos.
    Inicialmente, o técnico profere as seguintes palavras: "Agora és uma vela de cera. As velas são duras e tu deves procurar ficar muito teso, apertando com força os braços contra o corpo e esticando-os em direcção ao tecto para que fiques como uma vela". Quando o aluno tenha alcançado o estado de tensão, durante um tempo curto, pede-se à criança para "derreter": " Agora vais-te derreter como as velas fazem, afrouxando pouco a pouco o corpo e caindo ao chão devagar, porque as velas quando ardem demoram algum tempo a derreter-se". No terceiro momento, a criança "derrete-se totalmente" e cai no chão descansando ou movendo-se de forma lenta "como se fosse a cera líquida de uma vela derretida".



    - A barra de gelo

    Similar à actividade anterior. A criança começa igualmente em posição vertical e após induzir a criança a adquirir uma posição rígida sugere-se que relaxe a sua musculatura e se vá "derrentendo" como uma barra de gelo exposta ao sol até ficar numa posição deitada no chão.


    Estes jogos introdutórios têm como objectivo introduzir as técnicas de relaxação convencionais que se preocupem coma distensão muscular generalizada. Qualquer técnica de relaxação global com estas crianças deve evitar o mentalismo excessivo e usar imagens ou práticas que a criança possa facilmente vivenciar, pelo menos em etapas iniciais.


    Nota: A Relaxação Global é uma componente do método antidisgráfico de Pérez (2005) descrito no livro "La disgrafia. Concepto, diagnostico y tratamiento de los transtornos de escritura".

    Método Antidisgráfico



    Pérez (2005), no seu livro “La Disgrafia. Concepto, diagnostico y tratamiento de los trastornos de escritura” apresenta uma proposta de reeducação da disgrafia que denominou método antidisgráfico, composta por sete fases:

    1. Relaxação global e segmentar, que facilita o estado de distensão adequado para um correcto aprendizagem da escrita;

    2. Educação/reeducação psicomotora de base, que corrige as deficiências de coordenação, equilíbrio, dissociação e execução de movimentos;

    3. Reeducação gestual digital e manual, que melhora a precisão no uso da mão evitando sincinésias e aperfeiçoando a dissociação digital e a flexibilização dos movimentos básicos que intervêm na escrita.

    4. Reeducação visuomotora, que melhora a coordenação óculo-manual utilizando actividades paragráficas (picotar, cortar, modelar, etc…)

    5. Reeducação grafomotora, que educa os movimentos básicos que intervêm na escrita (traços curvos, ondulados e rectilíneos).

    6. Reeducação da letra, que aperfeiçoa a aprendizagem das formas globais de cada letra do alfabeto.

    7. Exercícios de aperfeiçoamento, que permitem melhorar a caligrafia e corrigir alterações como a inclinação, o espaçamento, a pressão ou o tamanho da escrita.

     

    Para o autor deste método as suas fases não têm um carácter consecutivo, devem ser realizadas de forma simultânea, ainda que nos momentos iniciais do processo seja aconselhável prestar mais atenção aos aspectos perceptivo-motores que se encontram alterados.

    quinta-feira, 6 de maio de 2010

    Acitividade - "Da garatuja à representação"

    A realização de actividades de expressão motora permitem à criança o conhecimento e o domínio do corpo, melhorar a motricidade global e a motricidade fina, o que lhe irá permitir uma maior destreza manual e o desenvolvimento da coordenação óculo-manual, fundamental no domínio da linguagem escrita.
    Propõe-se então de seguida algumas actividades que envolvem diferentes linguagens: motora, corporal, plástica.

    "Brincando com as fitas"

    - Primeiro com o corpo...

    Entrega-se a cada criança uma fita de pano ou de papel crepe (com cinco centímetros de largura e um metro de comprimento) e ao som de uma música ritmada pede-se aos alunos que iniciem livremente o jogo, orientado-os com indicações abertas:
    • Dançar com a fita;
    • Levantá-la, baixá-la, esvoaçar e dar voltas com a fita;
    • Atirá-la e ver como cai;
    • Deslocar-se com as fitas;
    • Correr com a fita;
    • Fazer desenhos no chão utilizando a fita...

    - E depois na folha...

    Apresenta-se uma folha A4 a cada criança com uma fita de papel colorida colocada de diversas maneiras, formando garatujas. As garatujas devem representar sinais não estruturados mas bem abertos, como curvas ou ângulos.
    Cada um na sua folha com canetas de feltro, transformará a fita nalgum objecto conhecido e desenhará uma cena à volta desse objecto.
    Seguidamente, os alunos são convidados a criarem eles mesmos as garatujas com fitas numa folha e trocarem-nas com os companheiros para repetirem a actividade: desenhar a partir da forma inicial.



    Fonte: Revista de Educação Especial, Ano II, nº 7, Maio de 2010